quarta-feira, 24 de maio de 2017
domingo, 30 de abril de 2017
REFLEXÕES PARA UM JUDAÍSMO SECULAR PARA O SÉCULO XXI
Outubro 2006
Como judeu que se define Secular Humanista, gostaria neste pequeno memorando de compartilhar com o leitor duas importantes reflexões sobre O que vem a ser Judeu Secular Humanista no Século 21 e a centralidade de Deus e do Homem.
O Judaísmo Secular Humanista vem se convertendo, nos últimos 40 anos, não só em um pensamento filosófico, mais sim em um movimento organizado, ou melhor, em uma nova e atuante corrente do judaísmo do século XXI.
Desde meados da década de 1960, surgiram 14 comunidades filiadas ao Jewish Secular Humanistic Community (Comunidade do Judaísmo Secular Humanista), principalmente nos Estados Unidos e em Israel, mas também na Europa, Austrália, México e Uruguai. Tais Comunidades têm como base a influência de personalidades e lideres como o Rabino Mordechai Kaplan, fundador do movimento judaísta reconstrucionista nos EUA e o Rabino Sherwin Wine (fundador do movimento Judaísmo Humanista também nos EUA e em Israel); podemos citar ainda, entre os mais influentes, Yair Saban, fundador do movimento Meitar, que vê o judaísmo como cultura. Saban é ex-ministro de Israel pelo antigo partido socialista Mapam.
Mas o que levou o pensamento filosófico do Judaísmo Secular Humanista a se organizar em comunidades estruturadas no século 21?
Uma resposta a essa pergunta deve levar em consideração isto: o que vem a ser Judeu no Século 21, na era da Globalização?
Se Napoleão vivesse hoje, em plena Revolução Global, logicamente não faria aos 71 senedrim (lideres religiosos) as 12 perguntas que fez na França de 1807. Talvez fizesse apenas uma: Quem é judeu?
E obteria inúmeras respostas, todas diferentes e corretas. Napoleão provavelmente sairia insatisfeito desse encontro; sua grande dificuldade, em pleno século 21, seria definir a quem fazer tal pergunta, uma vez que temos, hoje, um judaísmo de tantos tipos de senedrim diferentes.
Judaísmo é, hoje, uma fusão de identidades mundiais; não existe mais uma identidade judaica única, somos judeus de identidades diversificadas, de valores e conceitos que mudam num ritmo acelerado. As identidades no Judaísmo deste século recriam-se, renascem, revitalizam-se em um novo e versátil judaísmo de "caras novas", onde as correntes clássicas desse judaísmo se transformam para sobreviver e se adaptam ao novo padrão das identidades globalizadas.
O Judaísmo Secular Humanista faz parte integral desse processo, ele está tomando um novo ritmo, criará um novo rumo na vida judaica.
O que se chamou de pensamento Judaico Secular Humanista no passado foi, sem dúvida, o resultado de um processo de 200 anos de emancipação, tem origem na revelação de Copérnico sobre a terra não ser mais o centro do universo; esse judaísmo assumiu a coragem de Darwin ao afirmar que o homem não é mais filho de Deus; esse judaísmo sentou-se no divã de Freud quando se identificou com a revelação de que o homem é um labirinto povoado pelo inconsciente; esse Judaísmo Secular Humanista é fruto do pensamento de Spinoza, Mendelssohn, Hess, Marx, Buber, Sartre, Theodor Hertzl e muitos outros.
Quem desejar se definir como um judeu secular humanista do século 21 terá de enfrentar grandes desafios – não na necessidade de reafirmar o pensamento "O homem como centro do mundo, ou da vida judaica", mas na reconstrução dos fundamentos do pensamento judaico secular humanista, dentro da compreensão de que o judaísmo é uma civilização.
Compreender isso não é o suficiente. É preciso, ainda, saber se unir e atuar como judeus seculares humanistas. E para isso é necessária a organização em estruturas comunitárias voluntárias e ativas, como as que vêm surgindo nos últimos anos em sociedades judaicas em diversas partes do mundo.
Quem crê em um Judaísmo Secular Humanista precisa conhecer e agir de acordo com preceitos judaicos. Essa prática deverá estar presente em toda a esfera da vida da comunidade, nos aspectos cultural, histórico e educativo, realizando o ciclo da vida judaica através do Brit Milá, de casamentos, Bar Mitzva e Bat Mitzva, entre outras festividades judaicas.
Para que o leitor possa compreender melhor a prática desses conceitos, seguem algumas idéias já integradas e definidas em comunidades judaicas seculares humanistas:
· O Judaísmo Secular Humanista para o século 21 deverá restabelecer de forma clara o direito do povo judeu a seu centro civilizatório, que é a terra de Israel. Deverá lutar contra o racismo, o anti-semitismo e o fundamentalismo religioso; deverá restaurar a vida e a cultura judaica através da educação, fortalecendo o núcleo comunitário e o movimento juvenil.
· A educação judaica secular humanista não somente depende da compreensão seus rituais, mas também deve capacitar os seus indivíduos para uma amplitude cultural judaica voltada ao pensamento critico e analítico, para a formação de lideranças capacitadas a enfrentar as possíveis manifestações de antagonismo e hostilidade ao mundo externo.
· A expressão de civilização judaica tem como base de estudo de texto judaico a interpretação das expressões de nossos antepassados e relacionando-as ao pensamento moderno, condicionando-as e interpretando-as de maneira relevante dentro do contexto da sociedade pós-moderna.
Devem ser incentivadas as manifestações culturais e artísticas como forma de criar um espaço comunitário atrativo, absorvendo, assim, judeus afastados do judaísmo. O Judaísmo Secular Humanista acredita que judeu é todo aquele que se identifica como judeu e está vinculado de forma ativa a sua historia, cultura e tradições.
Com tudo isso, onde fica Deus dentro dessa visão de Judaísmo Secular Humanista?
Deus existe ou não?
Se fizéssemos esta pergunta, “Deus existe ou não?”, para Kaplan, Wine ou Saban, eles nos dariam três respostas diferentes – porém, é incerto qual deles poderia responder essa grande pergunta com mais segurança e firmeza. A verdade, pode-se dizer, é que muitos judeus seculares humanistas concordariam que "Sim, Deus existe – em nossas consciências. Ele é um, mas não é o centro deste mundo; o homem é o centro".
Para explicar melhor essa afirmação, temos que voltar às fontes de uma passagem bíblica em Êxodos, que talvez seja uma das mais importantes para os judeus humanistas; ela nos revela algo interessante sobre a questão da centralidade de Deus e do Homem. Essa passagem revela o diálogo sem fronteiras entre Moisés e Deus.
Conta-se em Êxodos que Deus manteve um diálogo profundo com o profeta Moisés, em que revelou, inclusive, um de seus vários nomes. O Profeta Moisés talvez teve que transcender os conceitos de tempo e de espaço para poder chegar mais perto desse Deus.
Esse Deus anuncia um dos mais importantes eventos da humanidade, a todos os seres humanos representados, ali, pelo Profeta Moisés, na entrega das Tábuas das Leis; Tábuas que devem estabelecer o pacto profundo entre Deus e o Homem. Esse pacto, escrito em pedra fundida, é denominado Os Dez Mandamentos.
Mas que Leis são essas? Para quê Deus nos apresenta essas Leis? Talvez Deus tivesse a intenção de nos dizer que os Dez Mandamentos eram o código moral e ético que deveria reger todos os seres humanos que vivem na face da Terra, e, como judeus, deveríamos divulgar esses mandamentos a toda humanidade.
Talvez o nosso Profeta Moisés, nesse dialogo tão humano, ainda tenha tido a coragem de perguntar a Deus: "E agora, Deus? O que vai acontecer? Para onde Vamos?” E talvez esse Deus tenha respondido: "A partir de agora, vocês, seres humanos, serão o centro da terra. Vocês têm um código moral e ético a ser cumprido, portanto, se virem! Eu irei para outros cantos, eu estarei em outros tempos celestiais".
O Judaísmo Secular Humanista procura "se virar", assumindo responsabilidades, neste mundo conturbado em que vivemos. Já se passaram mais de 4 mil anos e as metas de moral e da ética das Tabuas das Leis ainda estão muito longe de ser alcançadas,. E essa é, talvez, a grande missão do Judaísmo Secular Humanista; responsabilidade que deve ser assumida por nós, seres humanos, aqui na Terra, e não entregue a Deus.
O filósofo humanista Kenneth Phife define sua visão de Deus de forma muito interessante:
"O humanismo nos ensina que é imoral esperar que Deus aja por nós. Devemos agir para acabar com as guerras, os crimes e a brutalidade desta e das futuras eras. Temos poderes notáveis. Termos um alto grau de liberdade para escolher o que havemos de fazer. O humanismo nos diz que, não importa qual seja a nossa filosofia a respeito do universo, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em última análise, cabe a nós mesmos."
Se a responsabilidade sobre o mundo e os seres humanos cabe a nós e não mais a Deus, de que forma podemos assumi-la?
O Judaísmo Secular Humanista deve assumir o legado recebido pelo Profeta Moisés no alto do Monte Sinai. Devemos fazer de cada uma dessas comunidades a consciência da memória do Legado da Ética e da Moral recebido no Monte Sinai. Devemos nos responsabilizar e garantir que esse Legado seja difundido para todo mundo, com o intuito de alcançarmos um mundo melhor e mais humano.
Jayme Fucs-Bar
Como judeu que se define Secular Humanista, gostaria neste pequeno memorando de compartilhar com o leitor duas importantes reflexões sobre O que vem a ser Judeu Secular Humanista no Século 21 e a centralidade de Deus e do Homem.
O Judaísmo Secular Humanista vem se convertendo, nos últimos 40 anos, não só em um pensamento filosófico, mais sim em um movimento organizado, ou melhor, em uma nova e atuante corrente do judaísmo do século XXI.
Desde meados da década de 1960, surgiram 14 comunidades filiadas ao Jewish Secular Humanistic Community (Comunidade do Judaísmo Secular Humanista), principalmente nos Estados Unidos e em Israel, mas também na Europa, Austrália, México e Uruguai. Tais Comunidades têm como base a influência de personalidades e lideres como o Rabino Mordechai Kaplan, fundador do movimento judaísta reconstrucionista nos EUA e o Rabino Sherwin Wine (fundador do movimento Judaísmo Humanista também nos EUA e em Israel); podemos citar ainda, entre os mais influentes, Yair Saban, fundador do movimento Meitar, que vê o judaísmo como cultura. Saban é ex-ministro de Israel pelo antigo partido socialista Mapam.
O que essas três grandes personalidades, Kaplan, Wine e Saban, têm em comum é a centralidade do Homem no mundo; em suas comunidades judaicas, eles talvez expliquem tais conceitos através de diferentes ângulos, mas mantêm sempre a mesma base do Homem como centro.
Uma resposta a essa pergunta deve levar em consideração isto: o que vem a ser Judeu no Século 21, na era da Globalização?
Se Napoleão vivesse hoje, em plena Revolução Global, logicamente não faria aos 71 senedrim (lideres religiosos) as 12 perguntas que fez na França de 1807. Talvez fizesse apenas uma: Quem é judeu?
E obteria inúmeras respostas, todas diferentes e corretas. Napoleão provavelmente sairia insatisfeito desse encontro; sua grande dificuldade, em pleno século 21, seria definir a quem fazer tal pergunta, uma vez que temos, hoje, um judaísmo de tantos tipos de senedrim diferentes.
Judaísmo é, hoje, uma fusão de identidades mundiais; não existe mais uma identidade judaica única, somos judeus de identidades diversificadas, de valores e conceitos que mudam num ritmo acelerado. As identidades no Judaísmo deste século recriam-se, renascem, revitalizam-se em um novo e versátil judaísmo de "caras novas", onde as correntes clássicas desse judaísmo se transformam para sobreviver e se adaptam ao novo padrão das identidades globalizadas.
O Judaísmo Secular Humanista faz parte integral desse processo, ele está tomando um novo ritmo, criará um novo rumo na vida judaica.
O que se chamou de pensamento Judaico Secular Humanista no passado foi, sem dúvida, o resultado de um processo de 200 anos de emancipação, tem origem na revelação de Copérnico sobre a terra não ser mais o centro do universo; esse judaísmo assumiu a coragem de Darwin ao afirmar que o homem não é mais filho de Deus; esse judaísmo sentou-se no divã de Freud quando se identificou com a revelação de que o homem é um labirinto povoado pelo inconsciente; esse Judaísmo Secular Humanista é fruto do pensamento de Spinoza, Mendelssohn, Hess, Marx, Buber, Sartre, Theodor Hertzl e muitos outros.
Quem desejar se definir como um judeu secular humanista do século 21 terá de enfrentar grandes desafios – não na necessidade de reafirmar o pensamento "O homem como centro do mundo, ou da vida judaica", mas na reconstrução dos fundamentos do pensamento judaico secular humanista, dentro da compreensão de que o judaísmo é uma civilização.
Compreender isso não é o suficiente. É preciso, ainda, saber se unir e atuar como judeus seculares humanistas. E para isso é necessária a organização em estruturas comunitárias voluntárias e ativas, como as que vêm surgindo nos últimos anos em sociedades judaicas em diversas partes do mundo.
Quem crê em um Judaísmo Secular Humanista precisa conhecer e agir de acordo com preceitos judaicos. Essa prática deverá estar presente em toda a esfera da vida da comunidade, nos aspectos cultural, histórico e educativo, realizando o ciclo da vida judaica através do Brit Milá, de casamentos, Bar Mitzva e Bat Mitzva, entre outras festividades judaicas.
Para que o leitor possa compreender melhor a prática desses conceitos, seguem algumas idéias já integradas e definidas em comunidades judaicas seculares humanistas:
· O Judaísmo Secular Humanista para o século 21 deverá restabelecer de forma clara o direito do povo judeu a seu centro civilizatório, que é a terra de Israel. Deverá lutar contra o racismo, o anti-semitismo e o fundamentalismo religioso; deverá restaurar a vida e a cultura judaica através da educação, fortalecendo o núcleo comunitário e o movimento juvenil.
· A educação judaica secular humanista não somente depende da compreensão seus rituais, mas também deve capacitar os seus indivíduos para uma amplitude cultural judaica voltada ao pensamento critico e analítico, para a formação de lideranças capacitadas a enfrentar as possíveis manifestações de antagonismo e hostilidade ao mundo externo.
· A expressão de civilização judaica tem como base de estudo de texto judaico a interpretação das expressões de nossos antepassados e relacionando-as ao pensamento moderno, condicionando-as e interpretando-as de maneira relevante dentro do contexto da sociedade pós-moderna.
Devem ser incentivadas as manifestações culturais e artísticas como forma de criar um espaço comunitário atrativo, absorvendo, assim, judeus afastados do judaísmo. O Judaísmo Secular Humanista acredita que judeu é todo aquele que se identifica como judeu e está vinculado de forma ativa a sua historia, cultura e tradições.
Com tudo isso, onde fica Deus dentro dessa visão de Judaísmo Secular Humanista?
Deus existe ou não?
Se fizéssemos esta pergunta, “Deus existe ou não?”, para Kaplan, Wine ou Saban, eles nos dariam três respostas diferentes – porém, é incerto qual deles poderia responder essa grande pergunta com mais segurança e firmeza. A verdade, pode-se dizer, é que muitos judeus seculares humanistas concordariam que "Sim, Deus existe – em nossas consciências. Ele é um, mas não é o centro deste mundo; o homem é o centro".
Para explicar melhor essa afirmação, temos que voltar às fontes de uma passagem bíblica em Êxodos, que talvez seja uma das mais importantes para os judeus humanistas; ela nos revela algo interessante sobre a questão da centralidade de Deus e do Homem. Essa passagem revela o diálogo sem fronteiras entre Moisés e Deus.
Conta-se em Êxodos que Deus manteve um diálogo profundo com o profeta Moisés, em que revelou, inclusive, um de seus vários nomes. O Profeta Moisés talvez teve que transcender os conceitos de tempo e de espaço para poder chegar mais perto desse Deus.
Esse Deus anuncia um dos mais importantes eventos da humanidade, a todos os seres humanos representados, ali, pelo Profeta Moisés, na entrega das Tábuas das Leis; Tábuas que devem estabelecer o pacto profundo entre Deus e o Homem. Esse pacto, escrito em pedra fundida, é denominado Os Dez Mandamentos.
Mas que Leis são essas? Para quê Deus nos apresenta essas Leis? Talvez Deus tivesse a intenção de nos dizer que os Dez Mandamentos eram o código moral e ético que deveria reger todos os seres humanos que vivem na face da Terra, e, como judeus, deveríamos divulgar esses mandamentos a toda humanidade.
Talvez o nosso Profeta Moisés, nesse dialogo tão humano, ainda tenha tido a coragem de perguntar a Deus: "E agora, Deus? O que vai acontecer? Para onde Vamos?” E talvez esse Deus tenha respondido: "A partir de agora, vocês, seres humanos, serão o centro da terra. Vocês têm um código moral e ético a ser cumprido, portanto, se virem! Eu irei para outros cantos, eu estarei em outros tempos celestiais".
O Judaísmo Secular Humanista procura "se virar", assumindo responsabilidades, neste mundo conturbado em que vivemos. Já se passaram mais de 4 mil anos e as metas de moral e da ética das Tabuas das Leis ainda estão muito longe de ser alcançadas,. E essa é, talvez, a grande missão do Judaísmo Secular Humanista; responsabilidade que deve ser assumida por nós, seres humanos, aqui na Terra, e não entregue a Deus.
O filósofo humanista Kenneth Phife define sua visão de Deus de forma muito interessante:
"O humanismo nos ensina que é imoral esperar que Deus aja por nós. Devemos agir para acabar com as guerras, os crimes e a brutalidade desta e das futuras eras. Temos poderes notáveis. Termos um alto grau de liberdade para escolher o que havemos de fazer. O humanismo nos diz que, não importa qual seja a nossa filosofia a respeito do universo, a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos, em última análise, cabe a nós mesmos."
Se a responsabilidade sobre o mundo e os seres humanos cabe a nós e não mais a Deus, de que forma podemos assumi-la?
O Judaísmo Secular Humanista deve assumir o legado recebido pelo Profeta Moisés no alto do Monte Sinai. Devemos fazer de cada uma dessas comunidades a consciência da memória do Legado da Ética e da Moral recebido no Monte Sinai. Devemos nos responsabilizar e garantir que esse Legado seja difundido para todo mundo, com o intuito de alcançarmos um mundo melhor e mais humano.
Jayme Fucs-Bar
sábado, 29 de abril de 2017
JUDAÍSMO HUMANISTA: ENTREVISTA COM JAYME FUCS BAR POR DENISE WASSERMAN
29/07/2010
Identidade
O Judaísmo Secular Humanista é uma corrente dentro do judaísmo que vem reunindo progressistas e intelectuais em várias partes do mundo. Mais do que um pensamento filosófico, é um movimento organizado e atuante que nasceu na década de 1960 e tem a sua maior expressão nos Estados Unidos e em Israel. Mas também na Europa, Austrália, México e Uruguai, o Judaísmo Humanista tem como base a influência de personalidades e líderes, como o Rabino Mordechai Kaplan, fundador do movimento judaísta reconstrucionista nos EUA e o Rabino Sherwin Wine (fundador do movimento Judaísmo Humanista também nos EUA e em Israel).Para conhecer melhor esta linha de pensamento, entrevistamos o brasileiro Jayme Fucs Bar, que mora em Israel há 28 anos e é o coordenador do site Judaísmo Humanista que congrega hoje 412 membros. Vamos lá?
. Você é o coordenador do site Judaísmo Humanista. Quando começou a seguir por essa linha, e qual é o seu papel dentro desta comunidade?
– A minha formação judaica vem da comunidade do Rio de Janeiro e, como muitos de minha geração, tivemos uma vivência judaica secular, porém o encontro com uma visão judaica humanista aconteceu no Colégio Scholem Aleichem, no Hashomer Hatzair e mais tarde no Kibutz Nachshon, no qual vivo desde 1982.
. Quando e onde surgiu o movimento dos judeus humanistas?
– O Movimento do Judaísmo Humanista organizado tem suas origens no Movimento Kibutziano, no Bundismo (movimento de um grupo de judeus na Rússia revolucionária, que tentou oficializar na Segunda Internacional Comunista seu direito de manter a identidade étnica), e também na ação de Sherwin Wine, um rabino Reformista, que deixou o Movimento Reformista, pois concluiu que o judaísmo era muito mais que uma religião. Vivo num Kibutz em Israel, como muitos outros Kibutzim. Celebramos todo o ciclo de vida judaico e todas as festividades de forma não religiosa. Compartilhamos em nossos festejos de um ritual dentro dos aspectos culturais e da tradição judaica e, sobretudo, com um grande compromisso ético e moral da Torá, que nos ensina o respeito profundo à vida e ao ser humano.
. O que este movimento se diferencia, na prática, do judaísmo ortodoxo?
– Para mim, o perfil básico que faz a grande diferença em relação a outras correntes é a definição de que judeu é todo aquele que se define como parte integral da história, cultura e tradição judaica, independentemente dos dogmas exigidos pelas correntes religiosas, que definem que para ser judeu é preciso ser filho de mãe judia. Ser judeu está totalmente relacionado com uma identidade cultural judaica, e uma relação profunda com a história e tradição milenar do povo judeu. Estou ciente que esse tema está impregnado de um grande dogma entre as comunidades judaicas do Brasil e do mundo. Mas é preciso falar, debater e não ter medo de enfrentar e romper com esse dogma, pois de fato existem fora da vida comunitária milhares de judeus que foram criados, educados e se identificam com a parte integral de nosso povo, porém, estão marginalizados e excluídos. Essa situação é cada vez mais grave dentro do mundo judaico atual, onde o judaísmo organizado se torna cada vez mais uma opção religiosa, onde existem milhares de famílias que institucionalmente “perdem” sua condição judaica, surgindo uma necessidade vital de criar e se congregar em comunidades seculares humanistas, que proporcionam a esses judeus uma nova opção de continuidade judaica organizada.
. Como o judaísmo humanista é visto em Israel?
-A questão das correntes judaicas em Israel é muito mais complicada que nas comunidades judaica no mundo. Primeiro porque não existe separação entre Estado e Religião em Israel. A outra é que o sistema parlamentar de Israel não proporciona aos partidos de maioria laica governar sem a minoria religiosa ortodoxa, e o mais trágico dessa realidade é que grande parte dessa ortodoxia não é sionista e não se alista ao exército, porém controla o poder e o monopólio do judaísmo. Existem hoje em Israel cerca de 120 mil pessoas que têm o direito à lei do retorno, defendem o país, porém não são reconhecidos como judeus pela ortodoxia, isso quer dizer, podem morrer por Israel em suas batalhas e em suas guerras, mas não podem ser enterrados como judeus e muito menos casar em Israel. O Judaísmo Humanista em Israel tem como agenda na Knesset e na sociedade Israelense a luta pela separação do Estado da Religião e o direito a todas correntes judaicas de serem legitimadas.
. Existem rabinos ou sinagogas na linha humanista?
-Existe um processo novo na sociedade israelense de criação de Beit Midrash seculares humanistas, como resposta ao processo de ortodoxia da sociedade israelense. Existem hoje dezenas de Instituições desse tipo, como: Bina, Meitar, Alma. Uma delas, na qual participo e estudo, é o Centro Tmura de Jerusalém que formam Rabanim Seculares Humanistas.
. Como o judaísmo humanista é visto pelos mais religiosos?
-Acho que todas as correntes judaicas são legitimas e têm o seu lugar dentro da vida das comunidades, porém essas ideias do judaísmo secular humanista organizado que propõem uma alternativa compatível a muitos judeus do século XXI , vêm sendo criticadas por grupos religiosos e tradicionalistas, e eu como judeu secular humanista exijo o meu legítimo direito de me congregar e me definir como uma corrente judaica legítima, que tenha seus próprios rabanim,shilichm tziburiim, batei midrash, centros culturais etc, realizando todos os serviços judaicos como Kabalat Shabat,Brit Milá, Bar –Bat Mitzvah,casamento, festejos judaicos, conversão, sepultamento, enfim, o ciclo da vida judaica completo.
. Em que país (fora Israel) o judaísmo humanista é mais forte?
-Com referência à vida comunitária, sem dúvida, é nos EUA, onde os processos judaicos comunitários acontecem. Devemos prestar atenção como o judaísmo americano vem aos poucos recriando o judaísmo, como resposta aos novos dilemas judaicos numa sociedade pós-moderna e globalizada. Vale a pena acompanhar esse magnífico processo de renovação judaica criado pelo movimento reconstrucionista do Rav Modechay Kaplan e do movimento Humanista do rav Sherwin Wine.Venho aprendendo muito com essas comunidades nos EUA.
. Qual é a relação do judeu humanista com o Sionismo?
– O meu Judaísmo Humanista é também inseparável do compromisso com o destino do Estado Judeu. Acredito que o Judaísmo Secular Humanista deverá ser uma manifestação moderna de um Sionismo renovador e progressista, que deverá cumprir, na prática, a carta magna da independência do Estado Judeu de almejar um Estado dos sonhos dos profetas de Israel. Um Estado judeu baseado na paz e no respeito mútuo entre os povos, e na justiça e solidariedade para todos os seus cidadãos. O Judaísmo Humanista deverá ter hoje mais do que nunca, um papel político claro e critico sob os rumos atuais do Estado Judeu. Isso quer dizer: não abrir mão de reivindicar pela necessidade da separação entre Estado e Religião, e o direito de todas as correntes judaicas à legitimidade institucional; não ter medo de lutar pelo reconhecimento mútuo ao direito legítimo do Estado Judeu e do Estado Palestino de viverem um ao lado do outro com fronteiras reconhecidas e seguras.
. Fale sobre o site Judaísmo Humanista ( http://judaismohumanista.ning.com/ )
– O site foi criado em junho de 2009. Surgiu da necessidade de termos um espaço judaico mesmo que no virtual, para que as pessoas possam se manifestar, estudar, refletir e questionar sobre o tema Judaísmo Secular humanista. A repercussão desse site foi mais do que esperada, temos, até o momento, 412 membros e média de 1300 pessoas nos visitando por mês, inclusive realizaremos em breve um encontro desse grupo no Rio de Janeiro e em São Paulo. O Judaísmo humanista é um grande desafio do judaísmo pós- moderno e o crescimento ou não desse movimento na atualidade dependerá somente de cada um de nós, judeus seculares humanistas, nas nossas possibilidades de sairmos do conformismo e do individualismo e assumir na prática a responsabilidade de se organizar e criar nossas próprias keilot, dando respostas diretas para nossas necessidades como judeus seculares e, principalmente, uma opção real para um judaísmo de roupas novas que possa encarar o século XXI com fé (EMUNAH) no ser humano.
Artigo originalmente publicado no Nosso Jornal (RJ) e no blog Judaísmo Humanista.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
A IDÉIA DE DEUS
O físico alemão Albert Einstein que, entre seus principais trabalhos desenvolveu a teoria da relatividade, escreveu interessante depoimento, que merece ser lido, ouvido e meditado:
A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu.
Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia ateia.
Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam ideias que datam de 1880.
Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas.
No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que esses cientistas costumam pressupor.
Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis.
Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.
Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.
Alguns O representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos.
Desejam colocá-lO ao seu serviço, por meio de fórmulas mágicas.
É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos. Outros O representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.
Outros, enfim, o entendem como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.
A mais bela e profunda emoção que se pode experimentar é a sensação do místico.
Este é o semeador da verdadeira ciência.
Aquele a quem seja estranha tal sensação, aquele que não mais possa sonhar e ser empolgado pelo encantamento, não passa, em verdade, de um morto.
Saber que realmente existe aquilo que é impenetrável a nós, e que se manifesta como a mais alta das sabedorias; a mais radiosa das belezas, que as nossas faculdades embotadas só podem entender em suas formas mais primitivas.
Esse conhecimento, esse sentimento, está no centro mesmo da verdadeira religiosidade.
A experiência cósmica religiosa é a mais forte e a mais nobre fonte de pesquisa científica.
Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos.
Essa convicção, profundamente emocional, na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível, é a ideia que faço de Deus.
* * *
Quando o homem se detém a contemplar o fulgor das estrelas no firmamento, constata a grandeza da Criação.
Sente emocionado a presença da Divindade a se refletir em cada astro, em pleno universo.
E constata que, sem o amor de Deus que tudo vitaliza, a Criação voltaria ao caos do princípio.
A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu.
Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia ateia.
Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam ideias que datam de 1880.
Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas.
No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que esses cientistas costumam pressupor.
Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis.
Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria.
Há, porém, várias maneiras de se representar Deus.
Alguns O representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos.
Desejam colocá-lO ao seu serviço, por meio de fórmulas mágicas.
É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos. Outros O representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias.
Outros, enfim, o entendem como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.
A mais bela e profunda emoção que se pode experimentar é a sensação do místico.
Este é o semeador da verdadeira ciência.
Aquele a quem seja estranha tal sensação, aquele que não mais possa sonhar e ser empolgado pelo encantamento, não passa, em verdade, de um morto.
Saber que realmente existe aquilo que é impenetrável a nós, e que se manifesta como a mais alta das sabedorias; a mais radiosa das belezas, que as nossas faculdades embotadas só podem entender em suas formas mais primitivas.
Esse conhecimento, esse sentimento, está no centro mesmo da verdadeira religiosidade.
A experiência cósmica religiosa é a mais forte e a mais nobre fonte de pesquisa científica.
Minha religião consiste em humilde admiração do espírito superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que podemos perceber em nossos espíritos frágeis e incertos.
Essa convicção, profundamente emocional, na presença de um poder racionalmente superior, que se revela no incompreensível, é a ideia que faço de Deus.
* * *
Quando o homem se detém a contemplar o fulgor das estrelas no firmamento, constata a grandeza da Criação.
Sente emocionado a presença da Divindade a se refletir em cada astro, em pleno universo.
E constata que, sem o amor de Deus que tudo vitaliza, a Criação voltaria ao caos do princípio.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
DEUS SEGUNDO SPINOZA (Deus Falando Com Você)
“Pare de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é
que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pare de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pare de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.
fosse algo mau.
O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo
o que te fizeram crer.
Pare de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo.
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me
encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pare de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pare de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos,
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar.
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Ninguém leva um registro.
Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho: Vive como se não o houvesse.
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pare de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pare de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pare de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui,
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, pulsando em ti.
que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres?
Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, pulsando em ti.
(Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”)
O PANTEÍSMO DE MAIMÔNIDES
Nos últimos meses, andei lendo o tratado More Nevuchim (Guia dos Perplexos), que é sem dúvida um dos tratados mais importantes e contagiantes escritos pelo sábio Judeu, Rabi Moshe ben Maimon (Maimônides) ou simplesmente Rambam, principalmente quando se trata sobre o conceito de o que/quem é Deus.
Na verdade fiquei mais surpreendido ainda com a grande contribuição que Maimônides proporciona à nós, Judeus seculares humanistas, e por isso resolvi compartilhar com vocês um pouco dessas ideias, o que parecerá um pouco dificil mas vale o esforço.
Maimônides foi um grande conhecedor do pensamento dos filósofos Aristóteles e Platão, sendo o primeiro a por em prática a tentativa de conciliar o pensamento bíblico com a filosofia grega, postura bastante revolucionária e desafiadora em seu tempo, que com certeza vai ser a chave mestra para que comece a escrever o Tratado More Nevuchim (Guia dos Perplexos) em 1186 e terminá-lo em 1190.
A importância desse tratado de Maimônides é que ele nos apresenta uma ética de validade universal, não só para judeus, mas para todos, e trata de um dos temas mais complicados que é a questão: Quem é Deus?
O incrível é a preocupação desse nosso grande sábio que faz um desafio intelectual com objetivos pedagógicos e nos ajuda a fazer parte dos seus pensamentos, procurando com toda a dificuldade filosófica ser o mais compreensível possível sobre essa questão tão complexa sobre quem é Deus. Maimônides parte do principio que Deus é a origem de tudo e está em tudo que existe, Deus está em cada coisa que vemos e também em tudo que não podemos ver ou sentir devido a nossa limitação humana. Deus é a própria existência de Tudo que existe, e ele está no tempo e no espaço. Deus é Unidade, é Único, é igualmente e é Tudo.
O mais surpreendente é que, para Maimônides, não há lugar para qualquer oposição ou diferença entre Natureza e Deus. Para ele o conceito de Deus é o mesmo que dizer as ações naturais ou como dizia Espinosa, “Deus Natura”.
O mais surpreendente é que, para Maimônides, não há lugar para qualquer oposição ou diferença entre Natureza e Deus. Para ele o conceito de Deus é o mesmo que dizer as ações naturais ou como dizia Espinosa, “Deus Natura”.
Esta importante revelação de Maimônides nos ajuda a entender que provavelmente a origem do pensamento das ideias de Espinosa “Deus Natura” devem ter partido dos princípios das ideias de Maimônides, das quais Espinosa foi acusado de manifestar em sua visão Panteísta, um tipo de ateísmo que o levou ao seu isolamento comunitário.
Para Maimônides, Deus é tudo, é eterno, mas também é a primeira “máquina” geradora de tudo que existe neste mundo e Universo, e se ele é eterno e se está em tudo, podemos concluir que ele é a primeira causa de tudo, portanto está livre do conceito de tempo e de espaço, ele é um, único que está no sempre e no presente. Nesta sua lógica, ele nos transmite que se Deus é tudo, então não existe a possibilidade humana de ter qualquer conhecimento sobre ele.
Eu sei que parece complicada essa ideia, e até agonizante esse pensamento, mas na verdade Maimônides faz um esforço enorme para nos fazer praticar do ato do pensar. Ele acredita que se ele é tudo, ele é único e está presente em tudo então é impossível para nós, seres humanos, compreender sobre o que seja em sua totalidade Deus. Talvez seja essa a nossa grande dificuldade humana de acreditar numa visão maximalista do monoteísmo Judaico, na qual acreditamos em um Deus que é Tudo, é Único, mas que está fora de nossa possibilidade de compreensão.
“Há coisas que estão dentro do âmbito e da capacidade de apreensão da mente humana; há outras que o intelecto não pode, de maneira alguma, captar – as portas da percepção estão fechadas.
O que nos conforta é que dentro de nossas impossibilidades humanas podemos ainda ver, sentir, cheirar, tocar e nos deslumbrar das partículas de sua criação, essas partículas estão presentes e estão em cada um de nós, em cada detalhe da natureza, em cada ser vivo, é como se o Tudo e o Único estivessem sempre presentes em nossas vidas.
Vale a pena pensar sobre esse nosso desconhecimento total e absoluto sobre Deus, talvez seja a maior prova de que Ele existe. Talvez o segredo e a fórmula de conhecer um pouco a Deus é conhecê-lo através dessas suas partículas que estão bem em frente de nós e que nos proporcionam as emoções da vida, o amor e esse equilíbrio que é a Natureza.
Certa vez, quando estava ao lado de uma cachoeira junto com um grupo de amigos alguém exclamou:
“Veja Deus!” e todos riram, mas alguém perguntou: “Onde?”, e ele respondeu: “Dentro daquela linda borboleta azul.” Maimônides defende em seus princípios, que qualquer coisa que possamos imaginar sua existência é admissível. Portanto Deus Existe! O mundo é uma criação de Deus e a imaginação também! Como escreveu Maimônides: “Os peixes nadam e os pássaros voam”, a existência é algo concreto – é a natureza das coisas.
Certa vez, quando estava ao lado de uma cachoeira junto com um grupo de amigos alguém exclamou:
“Veja Deus!” e todos riram, mas alguém perguntou: “Onde?”, e ele respondeu: “Dentro daquela linda borboleta azul.” Maimônides defende em seus princípios, que qualquer coisa que possamos imaginar sua existência é admissível. Portanto Deus Existe! O mundo é uma criação de Deus e a imaginação também! Como escreveu Maimônides: “Os peixes nadam e os pássaros voam”, a existência é algo concreto – é a natureza das coisas.
Como Espinosa, Maimônides foi também muito criticado por suas ideias, principalmente as escritas no tratado More Nevuchim (Guia dos Perplexos). Ele foi acusado pelo rabino de Montpellier na França de conturbar a ordem da visão de um Deus Sobrenatural, seu tratado foi interditado e proibido entre os alunos, que ficaram sob pena de expulsão da comunidade judaica. Também os padres dominicanos e franciscanos procuraram formas de confiscar e queimar os seus livros sob a acusação de heregia.
Para os judeus seculares humanistas, que têm uma visão Panteísta, o pensamento de Maimônides no tratado More Nevuchim (Guia dos Perplexos) é de extrema importância, pois ele é essencialmente pedagógico, mostrando que o conhecimento é contínuo e nos aponta a necessidade de ampliarmos nosso aprendizado sobre as leis da natureza que é a base para poder refletir na sua complexidade sobre esse grande mistério que é Deus.
O sábio Alberto Einstein, quando perguntaram se ele acredita em Deus, respondeu: “Acredito no Deus de Espinosa”. Se fosse possível perguntar à Espinosa se ele acredita em Deus, ele provavelmente responderia “Acredito no Deus de Maimônides”.
Jayme Fucs Bar
O JUDAÍSMO HUMANISTA ACREDITA...
Pensamentos sobre o Judaísmo Humanista
O Judaísmo Humanista acredita que o Judaísmo é uma das praticas da liberdade e da dignidade do povo judeu e defende o direito da liberdade e a dignidade de todo seres humanos.
O Judaísmo Humanista acredita que Judeu é aquele que se identifica como judeu e se sente vinculado a sua historia, cultura e tradições.
O Judaísmo Humanista acredita que o Judaísmo é uma civilização onde estado de Israel é o centro da Civilização judaica.
O Judaísmo Humanista acredita que a revolução sionista foi uma revolução cultural que proclamou a soberania espiritual do homem judeu no centro de sua cultura e civilização.
O Judaísmo Humanista acredita que a religião judaica é uma das manifestações da cultura e tradição judaica .
O Judaísmo Humanista acredita que a identidade judaica é preservada através da educação judaica onde se pratica sua cultura, suas festividades, suas tradições, seu ciclo da vida judaica , criando e mantendo seus rituais, invocando o estudo da sua historia, sua filosofia, literatura e todo tipo de manifestações culturais judaica, em um ambiente livre e pluralista.
O Judaísmo Humanista acredita que a historia Judaica é um das sagas do ser humano, o Tanach e o Talmud são referencias originarias do significado da moral e da ética do ser humano .
O Judaísmo Humanista acredita que todos têm a responsabilidade na resolução dos problemas humanos.
O Judaísmo Humanista propõem a ação social e a luta por justiça social,e ecológica atuando e educando tanto na comunidade judaica, como em Israel e na sociedade geral almejando um mundo mais justa e mais solidário .
Jayme Fucs Bar
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